terça-feira, 27 de outubro de 2015

Jantar Magno no Esquina Mocotó

Rodrigo Oliveira e Thiago Castanho
Ainda hoje, com o tema "Comida de família", os chefes Rodrigo de Oliveira e José Oliveira de Almeida, recebem a família Castanho, do Remanso do Bosque de Belém (PA), para um jantar que propõe a mistura de duas vertentes da gastronomia brasileira: a nordestina e a amazônica.

Horário: 20h30
Preço: R$190,00 (bebidas inclusas)
Informações e reservas: (11) 2949-7049

Vive la cuisine!



Emmanuel Bassoleil, ao lado de Claude Troisgros e Laurent Suaudeau, lança hoje o livro Vive la cuisine - Os chefs que mudaram a gastronomia no Brasil, que traz biografia, fotos do acervo pessoal e 35 receitas. Comparados pelo jornalista Dias Lopes aos "Três Mosqueteiros", os chefs compartilham 35 receitas que mesclam técnicas tradicionais francesas com ingredientes brasileiros. 

O lançamento acontece com noite de autógrafos na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo, às 18h30. (Boccato Books, 144 págs., R$ 119,90)


quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Luís XIV: ciúmes, inveja e vingança do Rei Sol

Nicolas Fouquet (1615-1680) era um nobre francês, rico, inteligente, ambicioso e vaidoso, protegido do cardeal Mazarino, tutor de Luís XIV. Ao tornar-se o todo poderoso superintendente das finanças da França, Fouquet restabeleceu a credibilidade das finanças do Reino e, gozando de privilégios econômicos, multiplicou sua fortuna tornando-se um dos homens mais ricos do país. Vaux-de-Vicomte é um magnífico castelo a cerca de 50 km a sudeste de Paris, construído à custa de Fouquet ao longo de cinco anos por 18 mil operários comandados pelo arquiteto Louis Le Van, o paisagista André Le Notre e o pintor Charles Le Brun. Ao término da construção de seu castelo resolveu organizar uma festa suntuosa para recepcionar o rei e sua corte.

Luís XIV, então com 23 anos, chegou à festa com sua mãe, a rainha Ana da Áustria, e cerca de seiscentos nobres. Acompanhados por Fouquet, andaram pelos 3km de jardins da propriedade com incontáveis canteiros de flores, conhecendo seus lagos e suas magníficas fontes. Ao final da caminhada, foram presenteados com um banquete executado pelo famoso maître d´hotel François Vatel, composto por travessas de manjares exóticos, bandejas de carnes de caça, jarras de vinho, de espumantes, de sucos e licores, pães quentes, cestas de frutas e potes de doces em calda. Ainda para entretê-los, o comediante Molière representou Las Fâcheus, uma comédia-ballet, enquanto aguardavam um sensacional sorteio de diamantes para as damas e armas para os cavalheiros. Após o sorteio, houve queima de fogos de artifício que custou a bagatela de 16.000 francos.

Este excesso de luxo foi motivo de ciúmes, inveja e vingança do rei Luís XIV que furioso se recusou a pernoitar no castelo. Semanas mais tarde, no dia 5 de setembro de 1661, a mando do Rei Sol, o mosqueteiro D´Artagnan surpreende Fouquet com uma ordem de prisão perpétua. Preso Fouquet, Luís XIV decidiu construir o palácio de Versailles pelas mãos dos mesmos técnicos e artistas que haviam construído o Chateau de Vaux le Vicomte. Despojado de grande parte de seu acervo pelo rei, o castelo foi salvo da demolição em 1875, por um rico industrial, Alfred Sommemlier, que dedicou sua vida a restauração desse patrimônio.

E falando em Vatel, o que temos para hoje?



Waffles com morangos e chantilly
8 porções

Ingredientes
2 xícaras de farinha de trigo
2 colheres (sopa) de açúcar
1 colher (sopa) de fermento em pó
1 colher (chá) de sal
2 ovos
1 ½  xícara de leite
2 colheres (sopa) de óleo
1 colher (chá) de essência de baunilha

Preparo
Em um recipiente, peneire a farinha de trigo, o açúcar, o fermento e o sal. Reserve.
Em outro recipiente misture os ovos batidos com o leite, o óleo e a essência de baunilha.
Despeje sobre a mistura de farinha e incorpore os ingredientes.
Pincele o aparelho para waffles com manteiga.
Coloque uma concha rasa de massa e deixe assar até a massa ficar bem dourada.
Sirva com morangos e chantilly.

Foto e receita Kenzo Fco

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

E nesse meio tempo...

Concentrei-me em apenas uma tarefa: concluir o Minidicionário de Enologia em 6 Idiomas, lançado no começo de setembro.

Resolvi pedir ajuda, tendo o bom senso de pedir às pessoas certas.

Comecei o aprendizado de dizer "não" sem me sentir culpada e sem medo de magoar.

Descobri que não sou imprescindível. Tudo anda sem minha atuação, a não ser eu mesma. Por mais que isso me desagrade.

Tentei evitar me envolver na ansiedade e tensão alheias.

Entendi que minha família não sou eu. Ela está junto de mim, mas não é minha própria identidade.

Percebi o sentido da importância sutil de uma saída discreta.

Aprendi a diferença entre rigidez e firmeza.

Descobri que um prazer recompõe mais que algumas horas de sono.

Assumi o saudável compromisso de não abandonar minhas três grandes e inabaláveis amigas: a intuição, a inocência e a fé.

Entendi - creio que definitivamente -,  que sou o que faço a mim mesma...

Uma adaptação livre de um texto que jamais consegui descobrir o autor.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Ingleses e o vinho do Porto

Graças ao aumento das importações de vinho português da região do Douro, no século XVII, os ingleses acabaram criando, casualmente, a fórmula do vinho do Porto. Em decorrência das guerras com a França, os negociantes ingleses, radicados na cidade do Porto, foram obrigados a buscar uma alternativa para os vinhos franceses.

Encontraram-na em Portugal, mais precisamente no vale do Douro. Os tonéis de vinho eram levados por embarcações a vela em longas travessias marítimas. Os ingleses logo perceberam que se adicionassem aguardente de uva aos barris de vinho, além de conservá-lo por mais tempo, a adição de álcool diminuía a acidez e adstringência, e realçava o sabor da bebida. Em dezembro de 1703, foi assinado um tratado comercial luso-saxônico, o tratado de Metween, que admitia a entrada de vinho português nas Ilhas Britânicas, com tarifas aduaneiras preferenciais em relação às que sobrecarregavam os vinhos franceses, ocasionando, assim, um grande incremento em seu consumo.


Para assegurar a qualidade do produto, equilibrar a produção e o comércio, e estabilizar o preço, o Marquês de Pombal (1699-1782) criou a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, em 10 de setembro de 1756. Além disso, encarregou-se de fazer a demarcação das serras, área na qual o vinho poderia ser cultivado, surgindo, assim, a região demarcada mais antiga do mundo.

O nome do vinho deriva da cidade homônima Porto, que fica na foz do rio Douro, mas não é feito ali. O Porto é produzido no Alto Douro, cerca de 100km acima. Celebrado pelos ingleses, conta-se que o Almirante Horatio Nelson, conhecido como Lord Nelson, antes de derrotar Napoleão Bonaparte (1769-1821) na célebre batalha naval em Trafalgar, em 21 de outubro de 1805, demonstrou sua estratégia para lorde Sidmouth (1757-1844) desenhando seu plano sobre o tampo de uma mesa com o dedo molhado em Porto.

Essa e outras tantas histórias estão no livro Histórias, Lendas e Curiosidades da Gastronomia, de minha autoria.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

As dicas de sedução de Casanova



De paladar apurado e sensível aos desejos femininos, Casanova (1725-1798) tenta adivinhar quais iguarias podem favorecer suas conquistas.

“Uma loura graciosa tende a preferir as comidas adocicadas, cremosas, suaves, os frutos do mar, os peixes na manteiga, as aves, as verduras frescas, os queijos não muito picantes. Aprecia, sobretudo, o champanhe e os vinhos brancos mais leves.”

No seu entender, as morenas,

“mais vivazes e provocantes, amam os sabores fortes dos embutidos apimentados, das ostras com limão, dos doces recheados, da carne vermelha, dos risotti, das hortaliças de perfume intenso, dos queijos fortes, do chocolate. Os vinhos para as morenas devem ser tintos, como Bourgogne e Bordeaux, eventualmente um branco seco e champanhe.”

Quanto às ruivas,

“a pele sensível as leva a optar por alimentos requintados e leves, mas, por outro lado, o temperamento as aproxima do fogo. Vulcânicas e caprichosas, são muito atentas à apresentação e à consistência das iguarias. Preferem vinhos brancos secos, os Côtes du Rhône leves, um rosé fresco. E champanhe, sempre.”

Trecho de seu livro Memórias, publicado pela primeira vez no século XIX.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Trocando constelações por comida

Texto inspiradíssimo do Marcelo Katsuki:

Só se fala do novo signo, Ophiuchus ou Serpentário. Com essa mudança na astrologia, como devo fazer, mudo de personalidade? Afinal, foram anos e anos moldando um jeitinho de ver a vida baseado nos astros!

Inspirado nessa revolução zodiacal e na constante rotação de pratos personalíssimos à mesa, proponho uma mudança mais radical: deixar de lado essa bicharada e trocar as constelações por comida. Não o que você gostaria de comer, mas o que você é. Confira seu novo signo no nosso novo cardápio astral.

Pipoca (21 de março – 20 de abril)
Pavio curto. Não aceita críticas, é petulante e audaciosa. Esquentadinha, quando fica inflamada, explode fazendo pressão na panela. Mas é só barulho.

Rapadura (21 de abril – 20 de maio)
Teimosa, turrona, faz a fina, mas é raspa de tacho. Pessoa tinhosa até levar uma boa ralada, daí fica um docinho. Não perca seu tempo discordando dela. Geralmente é gorda.

Suflê (21 de maio – 20 de junho)
Versátil e indeciso, é famoso pela instabilidade. Pode aparentar grandiosidade em determinado momento para, em seguida, se afundar em discurso prolixo. Costuma falar sozinho.

Ricota (21 de junho – 21 de julho)
Gosta de se dar bem com todos, trazendo-os para seu convívio feito coração de mãe. Insossa, é totalmente dominada pelo tempero, tornando-se coadjuvante em sua vida. Geralmente sem sal.

Pavão de nabo (22 de julho – 22 de agosto)
É aquela escultura coloridíssima, toda trabalhada no corante, que anima qualquer mesa de bufê. A festa acaba e ele fica lá, não tem muita noção de timing. Falante nato, dá ótimo animador de festas infantis. Pobres crianças.

Teishoku (23 de agosto – 22 de setembro)
É o famoso “comercial” japonês, em que as comidas vêm todas minuciosamente separadas em vários pratinhos. Contido e sistemático, costuma ser centralizador e egoísta. Tendência à neurose.

Bufê self-service (23 de setembro – 22 de outubro)
Preza a abundância, mas o foco é socializar. Muito variado, difícil definir-se em um único prato. Gosta de estar em todas, da entrada à sobremesa. Meio sem noção, como um sushi num bufê de massas.

Acarajé (23 de outubro – 21 de novembro)
Misterioso, perfumado, rico em texturas. Quente, ardente, mesmo quando a aparência não é das melhores. Você com certeza vai se lembrar dele no dia seguinte, o que não quer dizer que será uma boa lembrança.

Rodízio (22 de novembro – 21 de dezembro)
Não importa se de churrasco ou de sushi, esse nativo é marcado pelos excessos e pelas oscilações. Entope-se de picanha no domingo para morrer segunda numa saladinha. Sanfona.

Miojo (22 de dezembro – 20 de janeiro)
Prático, independente, realista, não perde tempo com situações idealistas. Mas às vezes fica melancólico, com pensamentos negativos, talvez pela consciência de que não passa de simples macarrão instantâneo.

Espuma (21 de janeiro – 19 de fevereiro)
Gás aromatizado, tudo muito etéreo, tudo muito futuro, saca? Sem consistência, se evapora como aquela boa ideia que você não anotou e esqueceu depois. Visionário, com algum esforço.

Petit gâteau (20 de fevereiro – 20 de março)
Tenta mostrar firmeza com sua casca dura, mas por dentro é tão mole quanto uma manteiga derretida. Geralmente servido com sorvete de mágoas. Melhor ficar só no cafezinho.


* Marcelo Katsuki é blogueiro (www.comesebebes.com.br) e passa metade do dia pensando em comida. Na outra metade, ele sonha.